terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Vitrine.

    Quando eu era *mais criança eu costumava gostar muito de ver as roupas das vitrines das lojas da cidade, especialmente quando voltava da escola para casa. Eu geralmente voltava sozinha ou com alguma amiga.
    Acontece que quando eu gostava muito de uma roupa, nunca podia comprar, porque eu só comprava roupas com a minha mãe, era mais seguro, tendo em vista minha compulsividade por comprar coisas que eu usaria no máximo 2 vezes. Eu olhava, olhava e chegando em casa contava pra minha mãe o quão especial e única era a tal peça e explicava direitinho porque eu precisava tanto tê-la.
    Minha mãe ouvia... nem sempre dava trela e quando dava e falava que a gente ia na loja, sempre demorava anos luuz para cumprir a promessa. Então eu ficava muito ansiosa, e passava boa parte dos meus dias pensando no quanto eu tinha adorado a cor, a manga, a estampa, o lacinho, o cintinho e no quanto eu era infeliz por não ter essa maravilha.
     Sinceramente eu era *mais insuportável ainda com meus 11 ou 12 anos. Se eu fosse minha própria mãe, me trancava dentro do guarda-roupa e não abria mais ( ta certo que para mim não iria ser castigo muito grande, porque ... eu gosto um pouco de ficar dentro de guarda-roupas escuros).
    O negócio é que as vezes dona Sandra resolvia ir comigo até a loja pra ver o tal espetáculo em forma de vestuário que eu tanto precisava ter como meu.
    Ao chegar na loja e pedir pra vendedora pra ver a roupa de perto, eu me espantava muito! A tal blusinha não tinha a cor tão vibrante, a manga não era bufante, a estampa não era de gatinhos e não havia sombra de lacinhos e nem de cintinhos delicados nela.
    Eu, na realidade, tinha formado uma outra blusa na minha cabeça. Quase totalmente diferente da que estava na vitrine...pura fantasia. Ta certo que a blusinha não era de TODO ruim, poderia ser até bonitinha. Minha mãe poderia até gostar, comprar pra mim, e então, quem sabe a peça poderia até virar uma das minhas favoritas.Mas, definitivamente não era TUDO aquilo.
    Hoje, chego a uma conclusão... e essa conclusão não é de que é bobeira sofrer por uma roupa...isso é obvio, nem precisa concluir nada pra perceber. A minha conclusão é de que não era preciso sofrer tanto e ter ficado tão ansiosa por uma coisa que na verdade nem existia e perder tanto tempo por idealizar  d+.
  

História boba?

Pode ser... ou não. rs

beijinho :)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Não se perde...






    Nem sempre é fácil entender o que Deus tem pra nós, até porque os pensamentos Dele são infinitamente maiores que os nossos. Parece meio que o ato de ler um livro. Só acompanhamos a história adequadamente a medida que vamos lendo, letra por letra, palavra por palavra. Muitas vezes a história não faz nenhum sentido e é claro que, muitas vezes nos arriscamos a dar o nosso "pitaco" sobre o desfecho. Não sei se esta é uma atitude muito inteligente, já que as melhores histórias quase sempre tem um final surpreendente.
   Já Deus é um pouco diferente, Ele consegue enxergar a história toda, não está preso às frases de uma página como nós. 

    Não digo que não acredito que meus passos é que fazem o caminho, porque, sim, eu acredito nisso. Mas acredito também que posso decidir deixar Deus guiar meus passos e dessa forma andar no caminho certo.

Assustador?? Acho que não!

*Não se perde por esperar, não se perde por não entender. 

"Outro sinal de se estar em caminho certo é o de não ficar aflita por não entender; a atitude deve ser: não se perde por esperar, não se perde por não entender." -- Clarice Lispector 



Beijinhos. 

:)




segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A-prendendo.




Eu sempre soube que eu era diferente dos outros, a verdade é que todos somos diferentes uns dos outros.. mas não é sobre isso que eu to tentando discorrer a cerca ...rs

Sabe, eu não penso como a maioria das pessoas que eu conheço, e isso me perturba um pouco, mas sempre me consolou o fato de eu pensar que sou muito parecida com a minha mãe, porque sempre que me perguntavam : Por que você é assim?  E respondia: Ah, eu nasci assim, mas sou igualzinha a minha mãe. :)
Hoje, no entanto levei um choque... daqueles de 2000 volts (acho que isso é bastante, não?!), quando na mesa do almoço comecei a expor algumas coisas que eu nunca tenho coragem de admitir, dificuldades minhas, incertezas e ao invés de ouvir o habitual "Ah, mas todo mundo é assim..." ou então  "Ah, eu era assim também quando tinha a sua idade." ou quem sabe um "Ah fica sossegada, isso passa..." eu ouvi uma sentença chocante sobre meu possível futuro.

Caí em pranto. Isso mesmo, chorei que nem criança quando bate a cabecinha naquela quina beeem pontuda.

Descobri duas coisas: 

1- Existem coisas que são só da Sarah Romano dentro de mim, por mais estarrecedor que isso possa ser.

2- Essas coisas que são só da Sarah Romano dificilmente podem ser compreendidas pelos demais...por mais que eles gostem de mim. Portanto, determinados cômodos dessa casa só devem ser abertos para quem os criou e conhece quais são suas utilidades, bem como as mudanças que precisam ser feitas lá dentro.

E assim a vida continua...

"Eu tenho medo do ótimo e do superlativo. Quando começa a ficar muito bom eu ou desconfio ou dou um passo para trás." -- Clarice Lispector.

"Quem me quer não me conhece, quem me conhece me teme." -- Clarice Lispector.







terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ruas, passos e formigas.

        Hoje de manhã, por volta das 7:20h eu saí de casa pra ir pra faculdade, estava atrasada e por isso apertei o passo pra chegar mais rapidamente na estação. Quando passei pela rua onde residem um cachorro amarelo, que mordeu minha batata da perna um dia desses, e um preto que é amigo do amarelo, ouvi um "psiiiiuu".
       Foi um "psiiiuu" um bocado baixo, mas como o silêncio só me permitia escutar meus próprios passos, acabei percebendo esse som estranho. Não olhei para trás, como moça de respeito que sou, mas depois comecei a pensar que poderia ser algum conhecido que também estava indo para a estação.
      Olhei para tras. Não tinha ninguém!
      Voltei a andar mais rápido ainda, mas alguém disse "Moça????" e eu olhei pra perto de um portão marrom de madeira. Era uma formiga, uma formiga como eu nunca tinha visto... ela usava óculos de gente intelectual, aqueles que têm a armação escura,  vestia um paletó risca de giz e segurava uma maleta de couro preta.
     Eu me abaixei e perguntei se poderia ajudar em alguma coisa. Ela me disse que tinha acabado de ouvir o relato de um pernilongo viciado em rodiar postes iluminados da cidade durante a noite. A formiga era psicóloga. E agora precisava de uma carona pra chegar até a estação de trem a tempo para uma próxima consulta. Ela atenderia uma joaninha em Guaianazes.
    Concordei e disse que ela poderia sentar-se confortavelmente em meu ombro direito, contanto que  me contasse onde arranjou um paletó risca de giz tão bem feito!


=)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Abraço.



Sabe... as vezes eu sinto uma vontade repentina de abraçar as pessoas. Não é um abraço comum... um daqueles abraços de lado...que fazem estalar os ossinhos do corpo. E junto com esse abraço dar um sorriso, que de tão aberto, faz sair  lagrimas do cantinho dos olhos. E sentir o coração vibrar de alegria. Depois tomar meu caminho fazendo divertidos movimentos contidos...daqueles que a gente usa pra acompanhar uma música muito boa.

Mas se eu fizesse isso, as pessoas não me entenderiam, pensariam que tenho segundas, terceiras, quartas... infinitas intenções...ou que tenho algum problema psicossocial...ou que sou boba...ou qualquer outra coisa do gênero. Então eu me contenho... e monto a cena na minha cabeça mesmo.

Você pode já ter sido abraçado assim por mim. E nem sabe.

:)



Nota: aconselho que ouça essa música com fones de ouvido e num volume razoavelmente envolvente rs.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tardes de Goiabinha

Plantão da tarde

Se há coisas que valem a pena serem compartilhadas do meu mundinho particular com certeza entre elas estão as tardes de goiabinha.

Tardes de goiabinha?? É isso mesmo!
Uma ou duas vezes por semana minha tia vem aqui pra casa e, junto com minha mãe, faz umas 2 ou 3 receitas das famosas e deliciosas goiabinhas. Essas maravilhas estão sendo feitas em grande quantidade para arrecadação de fundos para o congresso Usa-me 2010 no dia 30 e 31 de Outubro.

Além de perfumar a casa com um delicioso aroma, essas duas lindinhas alegram a minha tarde. Eu dou mais risada do que em dias comuns (e os que me conhecem sabem que eu dou muuuita risada em dias comuns).

Hj por exemplo a sessão de goiabinhas já começou e eu, embalada pelo clima de animação, fiz o seguinte: Liguei para a casa do Claud e...

-Alô?
-Alô, Claud???
-Não, Ari!
-Oi, Claud, td bem? é a Sarah!!!
- É ARI!!! O SOGRO DELE!
- Ah ta, desculpa... 

e logo mais, após muitas risadas na cozinha, minha mãe solta o seguinte sobre meu pai:

- O Raymundo é engraçado quando ele quer, mas também... é uma vez na vida, outra na morte

Minha tia, mais do que rápido, respondeu:

- Então espero que não chegue a próxima vez... O.O


HAHAHA  morri!


sábado, 16 de outubro de 2010












"You can't silence my love"


"Hello Hurricane.
You're not enough,
Hello Hurricane.
You can't silence my love.
I've got doors and windows boarded up,
All your dead end fury is not enough,
You can't silence my love."

Essa semana foi uma semana em média 97% mais tensa do que as semanas ditas "normais"... mas mesmo com essa tensão toda, Deus mais uma vez me mostrou a sua bondade e me deu de presente um tempo bem produtivo, quem sabe até mais produtivo do que nas semanas 97% menos tensas.

Esse é um dos desenhos que eu fiz ontem. Não são grandes coisas, mas me fazem sentir um bocado bem só por terem conseguido passar dessa cabeça maluca para o papel. *nota: a imagem está ruim e ao contrário porque foi uma foto tirada pelo computador.

Também comecei a ler o livro "Pra que serve Deus" do Philip Yancey, e até agora estou gostando muito.


Poderia  tentar escrever coisas mais profundas e elaboradas, mas sinto que, por hoje, isso basta para mim.

Bjorks.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Evite a Ultima Prateleira.


Não sei muito bem... mas é que as vezes me cansa um pouco essa história de ser como uma criança que só quer o brinquedo da prateleira mais alta porque esse ela não consegue alcançar.

E ainda aparece aquela esperança, de tempos em tempos, dizendo que a tal criança foi embora, não quer saber mais de brinquedos de ultima prateleira, não quer mais saber de brinquedo nenhum. Mas logo eu me decifro, me pego olhando pra cima de novo... então abro a porta desse meu quarto trancado e vejo aqueles brinquedos que depois de finalmente alcançar eu deixei tomando pó no quarto da bagunça. 

Não caio mais nessas minhas armadilhas. Não quero mais.

sábado, 9 de outubro de 2010

Time stops.



"They say when you meet the love of your life time stops... and that's true..."


Essa é uma das minhas cenas favoritas de um dos meus filmes favoritos -- Peixe grande e suas histórias maravilhosas.


Sei que a vida é do jeito que tem que ser, mas nessa minha limitada cabecinha ainda martela a idéia de que se essa cena do filme fosse possível na vida real as coisas seriam um bocado mais simples e divertidas.


Ou então vai ver que é verdade mesmo... e eu é que não sei. Tomara!

Beautiful Exchange

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

mentira.

Escadas da estação de Suzano, próximo às 15:00 h...
Um homem atende o celular: - Alô, oi, eu ainda estou aqui na Santa Efigênia, só chego lá pelas 17:00h...


Plataforma da estação Usp Leste, aproximadamente 11:00 h...
Uma mulher atende o celular: - Oi, eu estou aqui no banco...


Plataforma da estação da Luz, quase 17:00 h...
Um homem atende o celular: - Alô??!! Filha??!!! Oi filha, fala...filha, fala direito se não o pai não te escuta!!! Onde eu tô? eu tô no escritório né filha...


E às 20:15 h todos sentam na frente da televisão, assistem o Jornal Nacional e xingam aqueles montes de políticos que não merecem respeito... a final, eles não passam  de mentirosos que só gostam de enganar o povo, não é?


E assim a vida corre...


Obs: as conversas de celular são verídicas. Infelizmente.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Ligeiramente alterado.

Esses dias minha vó nos chamou (eu e mamãe) pra almoçarmos na casa dela (papai estava viajando). Fiquei sabendo que minha tia avó iria testar uma nova receita, macarrão com berinjela, manjericão e queijo.
Fiquei empolgada à princípio, mas depois, ao imaginar o prato, tive a leve impressão de que não me agradaria o paladar... e foi de fato o que aconteceu, não gostei do tal macarrão e optei pelo trivial arroz e feijão.
Mas o mais interessante nisso tudo foi quando me contaram que meu vô, mais cedo, tentava tirar uma das partes da correia de uma havaiana. Ele forçava de todas as maneiras e não conseguia arrancar, então resolveu pegar uma faca suja de laranja, passar na margarina e besuntar o chinelo para ver se a correia finalmente escorregaria. Não atingiu o propósito.
Meu tio avô, que olhava a cena perguntou:
- Zé, mas você quer usar isso pra outra coisa ou só quer tirar?
Meu vô respondeu:
- Só quero tirar.
Meu tio:
- Então, porque você não corta?
Meu vô:
-É mesmo.
Pegou a faca, cortou a correia e a jogou dentro da pia da cozinha.
...


No fim do almoço, as mulheres tiravam a mesa e limpavam tudo. Meu vô, do nada juntou os grãos de arroz caídos perto dele, esticou beem o braço e jogou dentro de uma tigela .... a tigela do macarrão, que ainda estava cheia da iguaria.
Creio que vô Zé estava ligeiramente alterado nesse domingo.


****


Cheguei mais cedo da faculdade hoje. Liguei a Tv, coloquei na cultura, assisti Doug! Quando do nada, ouço alguém me chamando. Olho pela janela da sala e vejo que é minha mãe no portão. Grito: Já vaiii!!! e saio correndo com a chave na mão.
Minha mãe diz:
-Como você sabia que eu tinha chegado?
Eu:
-Você não me chamou?
Ela:
-Não, acabei de chegar, ia pegar a chave para abrir o portão quando ouvi você gritando : Já vaiiii!!!


As duas: O.O


beijork.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

"...que fosse pura como esse sorriso."

A última crônica- Fernando Sabino


A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.

Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.

Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.

São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.

Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O tal laço.

O livro "The Problem Of Pain" fala um pouco sobre esse laço, e eu concordo.

Eu tenho preferência por algumas músicas específicas, cores, cheiros, sabores, livros, filmes, lugares, paisagens, imagens, sensações, conversas, lembranças, épocas, temperaturas, pensamentos, objetos...

Só que essa tal especificidade é como um laço invisível que eu não sei explicar. E se eu me aventuro, é bem possível que não faça o menor sentido pra alguém além de mim. Eu só sei sentir mesmo.

Mas..."O que eu não sei dizer é mais importante do que eu digo."

Essa música, por exemplo, me faz dançar. Pelo menos por dentro.


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Nova estação.

     

     Em breve começa a Primavera.
Isso me faz lembrar de uma dia na escola, acho que eu estava na oitava série, ou algo próximo daí, e fiquei sabendo a hora exata em que entraríamos na Primavera. Então resolvi colocar meu celular pra despertar e planejei falar bem alto algo do tipo "Estamos na primaveraaaa".
    Pois é, eu sempre quis fazer essas coisas meio sem propósito pelo simples prazer de... fazer rsrs. Mas o fato é que, quando despertou, eu não ouvi porque a classe, como sempre, estava barulhenta. Aquela foi mais uma primavera normal e a vida seguiu.

    Mas em todo caso a Primavera tem aquela coisa de ser a estação das flores, perfumes e ter aquela temperatura agradável (pelo menos isso era assim quando o mundo ainda não estava nessa revolta climática) e, sei lá... deve ser por isso que à ligam a coisas mais românticas, não que faça algum sentido também, mas fazer o que.
  No meu devocionário de bolso do C.S Lewis, Agosto é um mês cheio de textos que falam sobre os sentimentos dele em relação a morte da esposa e também sobre paixão, amor e questões do gênero. Se fosse em Setembro, diria que a Primavera tem algo a ver com isso. Vejo, portanto, que não conseguirei esquivar-me por muito tempo, não que o deva fazer, é claro... mas sabe como é né, as vezes é difícil resistir a esquivar-se.                                                
De qualquer forma, aqui vai um dos pedacinhos que eu mais gostei até agora. 

Continuar apaixonado

    "Se a velha fórmula do final dos contos de fada ' e viveram felizes para sempre' for entendida como 'e nos próximos cinquenta anos seguintes eles se sentiram exatamente da mesma forma como se sentiram um dia antes do casamento', então ela está dizendo algo que provavelmente nunca foi e nunca será verdade, e que , inclusive, seria altamente indesejável se o fosse. Quem suportaria viver nessa excitação toda por cinco anos? O que seria do seu trabalho, do seu apetite, do seu sono, das suas amizades? Mas, é claro, deixar de 'estar apaixonado' não significa necessariamente deixar de amar. O amor, nesse segundo sentido- o amor como algo diferente de 'estar apaixonado'- não é um simples sentimento. Trata- se de uma unidade profunda, alimentada pela vontade deliberadamente fortalecida pelo hábito; reforçada (nos casamentos cristãos) pela graça que ambos os parceiros pedem e recebem de Deus. os cônjuges podem alimentar esse tipo de amor um pelo outro mesmo naqueles momentos em que não se gostam; assim como você se ama, mesmo quando não gosta de si(...) o 'estar apaixonado' os levou a jurar fidelidade; esse outro amor mais calmo os capacita a cumprir a promessa. É esse amor que mantém a máquina do casamento ativa; o estar apaixonado foi a ignição que lhe deu partida."

C.S Lewis.

"Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende(...)Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul."

Cecília Meireles - Primavera.

Beijork

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nonsense ?!?!




Eu gosto de rir...

Eu posso pensar, no mínimo, em 6 situações em que eu costumo dar risada. 
     A primeira delas é quando acho alguma coisa realmente engraçada, pode parecer estranho, mas essa não é a situação em que aparece aquele riso incontido. 
     A segunda delas é quando acontece alguma coisa engraçadinha ou até aparentemente sem graça para a maioria, mas que me ajuda a montar uma cena hilária na cabeça. É nessa hora que aparece o meu tal riso incontido, meu deleite das horas vagas... e ocupadas também.
     A terceira delas é quando penso que devo rir por conveniência; para não frustrar a expectiva de alguém. Essa, porém não é muuito frequente, tendo em vista que facilmente acho graça das coisas.
     A quarta situação é o riso "maria vai com as outras". Ao ver as pessoas rindo sinto uma vontade automática de rir junto, e quanto maior e melhor é a gargalhada, mais eu gargalho também.
     A quinta é simplesmente desesperadora e atualmente acontece quando estou em aulas ou em viagens de trens com certas pessoas que parecem ter o dom de te mostrar ou falar algo quando não se pode rir de jeito nenhum. Aí é um tal de abaixar a cabeça, esconder o rosto, fazer uns grunhidos estranhos com o firme propósito de conter o impulso. Perigo é estourar uma veia nessa brincadeira de ter que se segurar.
     E a sexta, e mais terrível, é quando eu fico sem graça, ou sem ter o que fazer. É um riso ruim, de quem não tem pra onde correr, não tem expressão pra fazer e muito menos algo que preste pra falar.
     Um exemplo desse último flagelo é quando alguém me encara no trem. Não que isso aconteça sempre, mas não é preciso que algo aconteça sempre pra gente não gostar, não é mesmo?!
     A pessoa olha pra minha cara e eu vejo. Aí resolvo desviar o olhar. Tempos depois, dou uma olhadinha de rabo de olho e descubro que a pessoa continua olhando fixamente para a minha face. 
     Aí lá vem ela, aquela super vontade de rir, mas não posso porque sabe se lá quem é o bendito que teima em me observar! Coisa chata.

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Algumas vezes os textos da faculdade são tão chatos e inteligíveis que eu começo a pular palavras... depois passo a pular frases inteiras, logo depois pulo parágrafos e quem sabe até páginas inteiras.
     Ao final descubro que gastei tempo só passando os olhos por cima das palavras e escolhendo quais eu deveria ler. E se quero entender alguma coisa, tenho que ter o trabalho de recomeçar tudo outra vez.
    Agora você vem e me pergunta (ok, você não quer perguntar nada, mas suponhamos que você queira...): Sarah, se você sabe que vai ter q ler de novo pra entender, porque não lê direito na primeira vez?
    E eu te respondo: Não sei.

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Bjorks.

sábado, 14 de agosto de 2010

Pertencer

"Um amigo meu, médico, assegurou-me que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano, no berço mesmo, já começou.
Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei esta fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram por eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança.
Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido.
A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!"



Clarice Lispector


"Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna."  Jesus - Jo 4:14 


Achei a quem pertencer.

1,2,3 eee... Já!

      E cá estou eu novamente tentando guardar de alguma forma um pouco de mim. Não vou dizer que as pessoas têm necessidade disso, porque, Santo Deus, as pessoas são tão diferentes e complexas... mas vou dizer que eu as vezes tenho essa necessidade.
      Há quem diga ser "a palavra a morte da coisa" mas seja lá o que queiram dizer com isso,(Porque, nossa vida!!! As vezes as pessoas querem dizer tantas coisas) as minhas experiências mostram o contrário.

     Mas isso tudo é só pra tentar explicar de uma forma meio que "bonita" porque eu estou me enfiando em mais uma rede social.

     :]